Desceram todos. Obviamente Paula e Flávia primeiro, seguidas de Rubens e Sergio. Sergio apertou o passo para se aproximar das duas e, interrompendo os já irritantes murmúrios, abraçou Flávia dizendo: - Beleza, beleza...Agora me dá um pouco de atenção, gata! Colocaram-se todos a caminho pela mesma calçada da parada de ônibus descendo e virando a direita na rua Miguel Estéfano. Sergio e Flávia, mas à frente. Tão juntinhos que pareciam uma só pessoa. Era inevitável um certo sentimento de inveja por parte de Rubens e talvez de Paula também, já que a ninfa, ora olhava para ele, ora para o casal, ora para o chão... Tudo sem esboçar um só verbete. Flávia e Sergio não paravam de cochichar, isso entre beijinhos e abraços mais ardentes. Era difícil de entender como aquele casal continuava em franca caminhada sem ao menos toparem com seus respectivos dedões em alguma pedra ou algo semelhante digno das esburacadas e imperfeitas calçadas que se estendiam ao longo do caminho até o Jardim Botânico. O sepulcro do silêncio entre Paula e Rubens foi quebrado quando o periférico Dom Juan, esquecendo-se do “exótico” casal e voltando sua atenção para quem realmente lhe interessava, perguntou: - Você e Flávia se conhecem há muito tempo? Tipo assim, de infância? - Eu não diria de infância...Mas a gente se conhece desde a quinta série. No começo não ia muito com a cara dela, Flávia gostava muito de...Como vou te explicar? Passar uma imagem... - Gostava de impressionar. Era daquelas que tudo sabe, uma vontade excessiva de agradar a todos. Concluiu, Rubens, psicologicamente. Estaria, ele, fazendo o mesmo? Mas Paula não se intimidou com as definições de seu par e sentenciou: - É... Mas não agradava ninguém... O fato é que ela é que se simpatizou muito comigo e, ao longo dos anos, acabou por conquistar minha admiração. É uma puta amiga, sabe? Tentando se equivaler à sua musa, Rubens continua: Eu sei bem o que é isso. Em relação à amizade sincera, ela se parece bastante com um amigo meu que há muito tempo não vejo, o Miltinho. Depois que o cara perdeu o irmão num acidente, a família optou por saírem do bairro. Não sei se foi a melhor solução... Curiosa com o fato, Paula indagou: - Perdeu o irmão? Nossa!!! Não faço nem idéia do que é passar por alguma coisa assim... Mas que tipo de acidente? De Carro? - Foi! Como soube? - Sei lá... Falei por falar... Mas me conta como foi! Continua...
Escrito por missuka às 16h38
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A verdade é que Rubens não simpatizava muito com a “guria” desde a época em que jogavam partidas de “queimada” e outras atividades esportivas, tanto na escola quanto na mata dos Mataza. Flávia era daquele tipo de pessoa que se julgam ser boas (melhores do que os outros) em tudo que fazem e, obviamente, qualquer manifestação da mesma o incomodaria. De qualquer forma e já sem muitas opções, concordaram todos com a idéia de Flávia. Complicado mesmo foi ouvir de Sergio, todo orgulhoso atracando-se ao montante de ossos, que a “gatinha” dele sabia de tudo, e que ao lado dela poderia andar por todo aquele lugar desconhecido sem se preocupar...O que levou Rubens a se perguntar mentalmente: De onde que esse camarada veio mesmo? Quando o ônibus parou no ponto e seu condutor abriu-lhes a porta dianteira, já aguardavam no local, uma senhora aparentando ter uns bons vividos sessenta anos (jovialmente bem humorada); um rapaz trajando uma camisa azul clara com o logotipo da companhia estampado no bolso e que ficava tentando comprimir o abdômen toda vez que ele julgava ser observado pelas meninas, ao mesmo tempo em que coçava o orifício auditivo esquerdo com a longa unha do dedo mínimo da mão direita, atividade que arrancava risos e cochichos das moçoilas, típico das adolescentes de qualquer época ou região. O rapaz ficou parado perto da porta esperando com que todos adentrassem no veículo. Primeiro a senhora que se aconchegou, solitária, no banco próximo à porta; depois Flávia seguida de Paula, atravessando a catraca (ainda em risos) a caminho dos bancos de trás, seguidas por Sergio que fez questão de pagar todas as passagens, mesmo contra a vontade de Rubens, que guardara a carteira no bolso de trás meio sem graça, e por ultimo, mas não desapercebido, o moço da vestimenta azul clara, acomodando-se próximo ao motorista, puxando assunto casualmente. A “carruagem” seguiu em frente. Os casais estavam dispostos nos últimos bancos, Paula e Rubens sentados próximos à porta traseira, Flávia e Sergio, logo atrás. Paula, virando-se para Flávia e comentou: - Que coisa mais nojenta! - Aposto que depois põe o dedo na boca pra saber que gosto que tem...Uhhhh... - Credo, Flávia! Que nojo...Me deu até calafrio... - Você foi podre, agora, Flávia... Desferiu, Rubens, que ouvira o cochicho das amigas. Sergio nem prestou muita atenção ao comentário de Flávia, ou pelo menos fingiu que não e indagou: - Do que vocês estão “falano”? É da Coroa assanhada, cara? A gargalhada foi geral e incontrolável. E, pelos entre olhares das debutantes, provavelmente a Senhora em questão seria a próxima vítima dos murmúrios juvenis. Mas Sergio não obteve resposta e no lugar dela acabou ficando mesmo com um honroso: - Nada, amor! Nada mesmo! E por falar em desligado, você não reparou nada em mim de diferente, gato? - Não! Como assim, cara? Diferente? - Ai...Nada, Sergio, nada... - Poxa, o que foi agora, cara? Ignorando Sérgio, Flávia chama a atenção da amiga. - Paula, vira aqui, deixa eu te falar uma coisa... - Ô gatinha, fala comigo primeiro, depois “ce” fala com a Paula, cara... - Não foi nada, Sergio; é sério... Agora deixa eu perguntar uma coisa pra Paula, tá? Sergio resmunga baixinho: - Mas é o caralho, mesmo... Ao mesmo tempo em que Flávia puxava Paula pelo ombro direito, aquela Senhora sorridente apertava o pequeno botão fixado na haste de ferro, avisando ao condutor de sua necessidade de sair do ônibus no próximo ponto. A adorável anciã, pouco antes de iniciar a descida do veículo, lançou seu olhar a Rubens e, finalizando-o com uma piscadela, sorriu despedindo-se. Era uma cena dantesca, mas para a sorte de Rubens ninguém havia notado, Paula e Flávia cochichavam a seu respeito. Flávia queria saber se Paula ia mesmo investir em Rubens e Sergio não parava de olhar pela janela, parecendo preocupado com alguma coisa. Reconhecendo os arredores do destino da velhota, Rubens julgou estarem próximos da parada citada por Flávia, na rota traçada por ela, antes de embarcarem no veículo e decidiu que já era hora de descer do “cavalo de Tróia” de metal, levantando-se e pondo-se de pé, em frente à porta traseira.
Escrito por missuka às 16h09
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(capitulo ii) O encontro §¨ª© ondo-se a caminho da rua da mata dos Mataza e tentando por de lado aquela visão disforme de seu amigo, direcionou sua atenção para o trio que o aguardava: a gatinha míope, sua interesseira amiga e o bad boy da zona oeste. Qual seria a melhor postura a ser tomada? Ser irreverente, despojado? De quê? Brincalhão, talvez?...Tanta preocupação quase que por nada, já que o “Mad Max” tupiniquim (Sergio), foi logo enchendo de indesejáveis tapas suas costas estreitas, afirmando: - Então você é que é o cara, cara? A minha gatinha falou muito de você, já tava até “achano” meio que estranho, cara! Uma série de perguntas rondava a cabeça de Rubéns naquele momento. Tais como: · Para que a jaqueta de couro num sol desses? · Essa bandana branca com ossinhos estampados na cabeça faz parte do visual ou é para esconder o corte de cabelo? · O que ele tem contra o Aurélio... “Achano”?! · Como que a “gatinha” dele falou tanto a meu respeito se a gente mal se conhece? · Será que ele vai mesmo terminar todas as frases com... CARA? · E será que esses malditos tapas são uma forma de me intimidar? E Sergio continuou: - A sorte é que eu nem sou ciumento...Eu me garanto, né não, cara? Rubens, mesmo surpreso, (prerplexo até) se aproximou de Paula e meio sem jeito a beijou no rosto. Fez o mesmo com Flávia meio a contra gosto. Claro que Sérgio não ia perder a oportunidade e disparou: - Ei, cara... Não tão perto da boca, né! E mais tapas nas costas... Rubens acabou mudando sua linha de raciocínio enquanto caminhavam: Até que é legal o coturno, mas esse bracelete eu não sei se usaria... É engraçado, fico aqui julgando o infeliz e de repente está passando pelo mesmo constrangimento, o mesmo problema que eu... Como se comportar com pessoas desconhecidas? De repente não tem nem o que falar e acabou tomando a iniciativa... Eu poderia estar sendo tão inconveniente quanto ele ou pior... Não tinha reparado nessa pinta no lábio dela, que charme. E os joelhos, os joelhos... São lindos esses joelhinhos... Tanta coisa p’ra reparar e vou me preocupar com o joelho? Babaca... Aliás,... Aí eu diria p’ra ela: - Você está uma graça com essa jardineira azul-marinho... - Você está uma graça de jardineira, Paula! - Hã?...É...Obrigada...Valeu... A reação de Paula foi, no mínimo, um tanto quanto displicente. Provocando um certo arrependimento em Rubens que pensou: Mas que tom de voz mais cafajeste foi esse que usei...Porra é fóda, você pensa uma coisa, vai tentar por em prática e sai essa lástima... Que vontade de fingir uma dor-de-barriga daquelas e dar o fora...Merda, merda, merda... Afundado em seus pensamentos, Rubens não reparou que já estava a caminho do ponto de ônibus. Só se deu por si quando Paula o cutucou chamando sua atenção para a questão que Flavia levantara a respeito de qual transporte coletivo deveria utilizar. O descaso de Rubens pela a incógnita da amiga, foi caracterizado quando disse: - Qualquer um. Nenhum deles passa perto do Jardim Botânico, hoje. - Nenhum deles? Como assim, cara? Indagou, Sergio, meio que perplexo. Arremetida de súbita lembrança, Flávia dispara: - É mesmo! Esqueci que, nos domingos e feriados, todos os ônibus que vão a sentido bairro-centro, são proibidos de entrarem na “ Miguel Estéfano”. Mas podemos “pegar” o que vai para São Judas. Ele pára na esquina da Avenida do Cursino com a Miguel Estéfano, o resto do caminho a gente faz a pé! Era difícil para nosso “herói” não deixar de pensar no enorme esforço (com a língua portuguesa) que a garota fez ao explicar para o amado, com detalhes, quase que todo itinerário das companhias de transporte que circulavam por ali. E que talvez fosse pouco para impressionar o seu deus grego. continua...
Escrito por missuka às 17h21
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http://www.youtube.com/watch?v=21iWw4DBIHA
Escrito por missuka às 16h00
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http://www.youtube.com/watch?v=y77VybKrDFg
Escrito por missuka às 15h59
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Naquele ensolarado domingo ele implorou à sua mãe que ligasse para Dona Rita dizendo que o filho estava adoentado e que não trabalharia. Depois de muito argumentar dizendo que era tratado como escravo e que não era justo que um rapaz jovem como ele, labutasse até aos domingos, perdendo toda sua juventude, convenceu sua Madre-superior e, ganhando o dia de folga, vestiu aquilo que julgava ser sua melhor vestimenta, penteou os cabelos, escovou os dentes, deixou seu quarto (sempre desarrumado) pondo-se em direção à rua ostentando um ar vitorioso dando a entender que nada iria atrapalhar seu encontro, não só pela aquela que definira como padrão de beleza, como também, pela oportunidade de conhecer pessoas que, até então, julgara de pouco júbilo. Marcaram seu atino no parque Jardim Botânico, um lugar belíssimo, de fácil acesso e o mais importante...Barato. Quando estava saindo no seu portão de madeira verde, pintado, por ele mesmo, às pressas, na manhã do domingo anterior, eis que se depara com, nada mais nada menos, Dito... O intrépido Dito, a quem não via já um bom tempo; um pouco mais exótico do que da última vez, com longas madeixas presas em rabo-de-cavalo que, por sinal, não combinavam muito com seu rosto miúdo e uma colossal tatuagem de um escorpião estilizado na batata da perna direita, a mostra devido a bermuda larga de um tom fortemente alaranjado. Rubens, surpreso, não só com a presença do amigo, mas também pelo estranho visual, foi logo perguntando. - Mas por onde tem andado, meu amigo? Como é que você está? Vamos...Fala!!! - E aí, meu? Firmeza?... Ah, eu tô por aí, mano... Curtindo umas viagens... Tá ligado!! Respondeu, Dito, num dialeto que Rubens definiu como algo meio aborígine ou coisa parecida, ele até tentou insistir num diálogo normal... - Não entendi!...Você estava viajando? E...Por onde esteve? - O louco, meu...Acho que você é que tá na maior viagem, diz aí! Curtição, mano...Brisa, né não? Retrucou, ele, com seu “grego arcaico”. - Hã??...Bom...Poxa , faz um tempo já, em?...É...Sabe... Não me leva a mal, mas eu tenho um encontro, uma balada e... Elas já estão me esperando e...Bom, não só elas... Tem um cara também. A gente podia...Pó, mas agora não vai ser possível, afinal de contas, não ia dar “cano” no trabalho de bobeira e até me... - Pô, mano...Nem esquenta que eu tô ligado, pode dar linha com as mina!!! Concretizou, Dito, interrompendo bruscamente as tentativas de desculpas de seu amigo angustiado, num estranho consentimento paterno como quem diz “curta a vida que é curta!” Dando-lhe as costas e esboçando um tímido tchau com a mão do defeituoso braço esquerdo. Rubens olhava, franzindo a testa, o caminhar despojado do antigo amigo e indagava a si mesmo. - Por onde teria andado o sujeito por quase quatro anos? Disseram-lhe até que, nem mesmo a família, sabia de seu paradeiro. Outro questionamento lhe rondava a cabeça, o que teria acontecido, nesse tempo, que mudara tanto uma pessoa...A ponto de se perder até aquela alegria jovial, típica do intrépido Dito... - Se cuida, cara... Resmungou baixinho.
Escrito por missuka às 15h56
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Escrito por missuka às 15h54
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Numa dessas manhãs de domingo, após a missa, que Rubens fazia questão de assistir, sabendo que não veria o “Zoreia”, pois o mesmo encontrava-se de férias e viajara para a casa da tia no interior, Rubens (sem muito para fazer antes de se encaminhar para a padaria-masmorra), decidiu passar pelas redondezas da mata dos Mataza que tomava conta de todo o lado direito da rua, para espairecer relembrando sua infância, notou que próximo à porta de uma casa situada bem em frente da pequena clareira que os moradores abriram para o campo de botcha e as mesinhas destinadas aos grandiosos torneios de dominó; havia uma mocinha bonita de curtos cabelos castanho-escuros e um charmoso par de óculos, dando-lhe um ar de intelectual, logo desfeito pelo o modo com que a moçoila lhe dirigia a palavra. - E aí, lembra de mim, ou vai fingir que não, pra dar uma de gostoso?! - Da padaria? Indagou, ele, perplexo com a total falta de inibição da ninfeta. - É, também, claro...Mas me referia ao massacre em cima de vocês no jogo de queimada lá no campinho! Afirmou ela, com superioridade, referindo-se a uma antiga peleja de meninos contra meninas. - Nossa, mas isso já faz tanto tempo, tem o quê; uns três anos? E se bem me lembro, foi o massacrado aqui que tirou você do jogo na ultima rodada, né gatinha? Acrescentou, Rubens, propício a um amistoso diálogo. - Pode até ter sido, mas a Flávia te acertou bem na cara e você ficou muito puto, eu não conseguia parar de rir, me desculpe. Corrigiu, ela, cortando a risada meio sem graça. - Ta bom... Mas quem é Flávia? Indagou, Rubens. - Ela. Apontando para uma raquítica menina loira-avermelhada de shorts preto que deixava amostra suas longas pernas finas, que saíra naquele exato momento para ver com quem a amiga conversava. Depois se serem reapresentados, (já que se conheciam de outras “boladas”) e, em meio a muitas risadas e conversas jogadas fora, Rubens ficou sabendo que a “magriça” tinha um namorado chamado Sergio e que o rapaz era meio “boa-vida”, tinha um padrasto bem sucedido, mas gostava de passar aquela imagem de rebelde. O que Rubens queria saber, era como elas definiam o termo “bem de vida”. Flávia contou que o namorado fora criado pelos avós e que só depois de ter completado dezoito anos é que resolveu procurar a mãe, descobrindo que ela não se casara com seu progenitor e sim com um renomado empresário. Rubens achou estranho que a menina contasse tais coisas a um quase desconhecido, mas já que ela tagarelava sem pausa alguma, ele a ouvia sem interrupções. Ela continuou, dizendo que o padrasto do rapaz tinha uma casa super legal com piscina e tudo que se tem direito e blá - blá - blá...A conversa até que ia bem, ele descobrira que a moça de óculos não tinha nenhum pretendente, pois Flávia havia dito que era com um partido desses (igual ao dela) que Paula deveria se envolver e de sobra descobriu o nome da gata, mas estava quase passando da hora de ir para a padaria e um atraso, naquela altura do campeonato, só serviria para lhe estragar o domingo, então, quando ia se despedir das musas, Flávia, mais do que de pressa, propôs: - Só deixo você ir embora se marcarmos uma balada. Eu, você, minha amiga aqui e, claro, meu namorado, tá numas? Que foi logo interrompida pela acotovelada de Paula em suas costelas, gerando um doloroso: - Ai! Ô... E Rubens, sem perder tempo disse: - Tudo bem, olha; aqui está meu telefone, depois a gente se fala, desculpe a pressa... Mas podem me ligar depois das vinte e duas horas, tchau!!! Dando um pequenino pedaço de papel para Paula, põe-se a caminho e se afastando, percebeu os murmúrios das duas que, provavelmente, falavam do (quase certo) futuro encontro que realmente aconteceu duas semanas depois. Flávia havia ligado, perguntando se a “balada” ainda estava de pé e Rubens, sem pestanejar, disse que sim e que ele ligaria confirmando o dia, o local e a hora. Depois de tudo previamente definido, Rubens desligou o telefone pensando como que, de uma simples conversa relembrando a pequena contenda ocorrida há tanto tempo atrás, resultara nesse encontro; resposta obtida tempos depois, quando foi revelado a ele que Paula e a Amiga, desde aquele dia do jogo, passaram a olha-lo diferente e não apenas como “o garoto da padaria”. “ Uma Gracinha”, foi o termo que usaram. (continua...)
Escrito por missuka às 15h49
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A Mata dos Mataza era o apelido carinhoso que as pessoas do bairro colocaram numa reserva de mata virgem que pertencia à família dos Matarazo que era localizada na continuação da rua Constantino Ferreira, duas ruas acima da casa de Rubens, indo ao sentido da Avenida Principal, à direita. E era nesta rua em que se encontrava a residência da “amada” Paula. Rubens passou a maior parte de sua infância brincando nos arredores, se não, no próprio bosque relembrado, junto de seus inseparáveis amigos, Miltinho (que morava duas casas depois da casa de Rubens, na mesma calçada), “Zoreia” (esse era o apelido de Valtemar... isso lá é nome de gente?), morador da quadragésima quarta casa depois da residência de Miltinho e o intrépido Dito, que adorava fazer tudo quanto era tipo de coisa que demonstrasse algum perigo; coisas como: subir/escalar até o topo da árvore mais alta sem nenhum auxílio de equipamento, atravessar a nado, a represa, tentar voar com asas de isopor...Que acabou resultando em fraturas expostas (no plural) do braço esquerdo, que nunca mais foi o mesmo, mas isso não o impedia de tentar, às vezes com êxito, outras peripécias... Dito morava na mesma rua, só que quase no final, na verdade era na esquina, colado à padaria da Rita. De todos Dito era o mais “topa – tudo”; - Eu tô nessa! Ele sempre dizia... Já a vida do Valtemar era bem difícil, acontece que o pobre era órfão de pai, e a mãe trabalhava muito para sustentar a família de quatro filhos, todos menores que o “Zoreia”. Miltinho nascera no mesmo dia que Rubens, comemoraram vários aniversários juntos, vossas famílias eram muito amigas, mudaram-se para o bairro quase na mesma época, no ano de mil novecentos e setenta, com diferença de poucos meses. Os quatro cavaleiros do apocalipse deram muito trabalho para seus respectivos pais e para todo o resto da vizinhança inclusive; mas se divertiram muito. O tempo foi passando, foram crescendo, Rubens passou a trabalhar na padaria da dona Rita, coisa que nunca lhe rendeu muito... A não ser as fortes dores de cabeça que os produtos de limpeza lhe causavam e como o quadro de funcionários era bastante vasto tendo o “Bola” na chapa de lanches, a filhinha fresca e sem graça (ao extremo) de dona Rita atendendo no balcão, o velho padeiro que ninguém sabia o nome direito e que muitos diziam ser um pederasta travestido de porco, pois, pelo cheiro, parecia que nunca tomava banho, e, é claro, a própria dona do estabelecimento no caixa, sobrava sempre a parte da faxina para o nosso Rubão, função acumulada com o atendimento no balcão. O irmão mais velho de Miltinho morreu num acidente de trânsito que, é claro, abalou demais, não só a família, mas todos os amigos mais íntimos... Logo após o ocorrido, a família de Miltinho mudou-se para outra cidade, quase que ao mesmo tempo em que Rubens arrumara esse serviço, trocaram algumas correspondências, mas era notório até no modo de escrever o quanto à morte do irmão lhe perturbara. Ainda hoje, Rubens se pergunta se foi mesmo melhor para todos essa mudança; afastando Miltinho dos amigos, afinal de contas, era exatamente nessas horas terríveis que precisavam de amigos de verdade e o afastamento só serviu para que os “trutas” se distanciassem cada vez mais. Como se não bastasse o “ Zoreia” também teve que encontrar alguma ocupação que lhe rendesse algum, mesmo que fosse do outro lado da cidade, e de quebra, conciliando com os estudos; diretriz básica muito bem imposta por sua incansável e batalhadora mãe, deixando assim, bastante restrito o contado dos companheiros que só se encontravam nas manhãs de domingo, já que o expediente de Rubens era após o almoço. Já o intrépido Dito havia desaparecido, pouco se sabia do rapagão...Alguns diziam que andava metido com drogas, não era uma coisa que Rubens aceitava facilmente e o mais estranho, não era uma coisa difícil de se acreditar também, já que o sicrano adorava testar seus próprios limites, descobrir do que era capaz e, além do mais, já fazia tempo (anos antes da morte do irmão de Miltinho) que o Dito não ficava mais junto de seus companheiros, talvez achando a “tribo”, pacata de mais ou algo assim. O negócio dele era agito, muito agito, baladas, baladas e mais baladas. ( Continua... )
Escrito por missuka às 16h38
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vou postar no blog agora meu "conto". Ele ainda não está terminado, mas quem sabe postando, tomo vergonha na cara e o termino... O JOGO DE PIFFE
(capítulo I) A apresentação §¨ª© odos que começam a ler esta história agora sabem como é esse jogo? É estranho começar um conto com uma interrogação, mas tem-se um motivo, pois é imprescindível para a total compreensão do mesmo. Aparentemente é uma brincadeira bastante simples e inocente, desde que não se aplique nenhum tipo de aposta ou premiação (coisa quase que impossível se você é daqueles que se cansam facilmente de tudo e gostam de motivações para escapar do marasmo). A diversão consiste apenas em formar três trincas (cada trinca corresponde a três cartas do baralho) com o mesmo naipe (as figuras) ou seqüências de valores. Ganha aquele que conseguir formar as três trincas primeiro. Dada a definição primária do game, partimos então para o enredo... ...Essa trama provem de um jovem de classe média – baixa, entediado com o rumo enfadonho tomado pelo seu já heróico dois anos de “caso amoroso”, que começa a questionar-se sobre o que fazer, como exorcizar o fantasma da monotonia, como que seus conhecidos, parentes, vizinhos, amigos conseguiam a fantástica proeza de continuar seguindo com os seus respectivos relacionamentos ao longo do tempo. Ele, na verdade, sabia que cada um, ao invés, de se ter uma bela “receita”, o que detinham era nada mais do que uma válvula de escape, ou seja, um “casinho” básico, ou somente uma escapada com qualquer mulher que lhe desse bola, ou (por falar em bola) aquela pelada de fim-de-semana, (no bom sentido é claro), ou o bilhar no boteco da esquina... Em suma; qualquer atividade que não se incluísse a amada em questão; não era esse tipo de comportamento que lhe interessava e sim, algo que pudesse incluir sua conivente, cúmplice, uma moça bonita, aparentemente inteligente, bem articulada, dizendo-se disposta à “grandes modificações”, também saturada pela extenuação de tudo, mas com certa dificuldade em se expressar diretamente, deixando meio que obscuras suas queixas. Rubens (sua graça ) percebia essa específica deficiência de seu par romanesco que atendia pelo nome de Paula, e assumia, então, uma postura, na qual ele é que se preocupava com o caminho da melhor, ou no mínimo, mais interessante convivência entre os dois. E Paula acomodara-se nessa situação, deixando com que a criatividade de seu parceiro desabrochasse livremente. Criativo sim, milagroso, nem tanto. Sua situação econômica não o favorecia em nada, sendo muito difícil esboçar alguma tentativa de entretenimento sem que, com isso, incluísse o desembolsar de alguns já escassos vinténs. Restava-lhe apenas as atividades “gratuitas” ou menos dispendiosas, como parques, reservas, bares, lanchonetes (dois sucos naturais já estourando o orçamento) e etc... Pensava ele: É... Velhos e bons tempos aqueles em que éramos crianças e brincávamos na Mata dos Mataza... continua...
Escrito por missuka às 16h28
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Depois de muito tempo consegui colocar no youtube um vídeo caseiro que fiz de uma música composta por Meu amigo Ton Rasec. Na época eramos uma dupla e nos chamavamos Mensagem a 2. Os arranjos foram feitos por mim e a letra e música são dele. É uma música linda, com uma letra forte e as imagens que usei representam esse clima!!! Vejam o clip, divulguem e nos ajudem a fazer desse clip o mais visto do universo RSRSRSRSR... Brincadeiras a parte, vejam o clip... Tanto o trabalho registrado em CD e o clip foram feitos com muito carinho. A música é de 1999 e o clip é de 2005. Olha o link: http://www.youtube.com/watch?v=y77VybKrDFg por favor vejam e comentem.
Escrito por missuka às 14h04
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O que mais me encanta Ah... O que mais me encanta Do que sua pele branca Que você insiste em amorenar São seus olhos verde-castanhos Seus cabelos pintados Seu batom a me sujar. Ah... O que mais me encanta Do que sua fala branda No meu ouvido a me arrepiar São suas mãos santas Em minhas pernas bambas Esse seu jeito de acarinhar Fica comigo por favor Só mais um pouco de amor Não tenha medo do que possa... Acontecer! Ah... O que mais me encanta Do que suas pintas, tantas No seu corpo a desfilar São os seus lábios tenros Nos meus lábios trêmulos Esse seu jeito de me beijar Ah... O que mais me encanta Do que você em minha cama A mercê do meu olhar São suas mãos no meu peito Apertando-o pelo feito Esse seu jeito de se entregar... Fica comigo por favor Só mais um pouco de amor Não tenha medo do que possa... Acontecer! Missuka
Escrito por missuka às 11h35
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crônicas... O que acontece quando vc leva sua esposa pra balada? No fim da noite vc não "pega" nem ela...
Escrito por missuka às 21h34
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Metáforas Perdi a diligência, não sou mais rei do castelo Só me resta vagar por aí, exibindo um sorriso amarelo Disfarçar é o que mais sei fazer, me escondendo atrás de um bufão Tenho medo de abrir a janela e a brisa se tornar um tufão Bagunçando os papéis na minha sala de estar, ser, ficar, Permanecer só... Um padre madeixas foi quem me malou: “- Plantar solidão é colher desespero”. Sábias palavras fazem a cabeça Quando encostadas num par de joelhos. Perdi o controle da minha aeronave, Caindo no mar das promessas perfeitas. Carrego no peito a medalha da dor; Talhada na mais fina e pura madeira, Esquecida, hoje, na sala de estar, ser, ficar, Permanecer só... Missuka
Escrito por missuka às 15h35
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Filosofando O céu azul já não existe mais E as estrelas que curtia deixaram de brilhar A montanha desabou em cima da relva que deitei E a água que matava minha sede também secou O que foi que aconteceu? O que será que se perdeu? Serei eu? Serei eu? Esperar um novo dia... Esperar outro dia... Sei que vou. Esperar um novo dia! Filosofar a poesia! Os pássaros que cantavam, Anunciando um novo dia, Já não há nem mais motivos; Perderam o dom da “cantoria” A noite vem, os cães ladram a chegada. E a penumbra de mãos dadas com o agora. Por que foi que me entreguei? Por que será que me entreguei? Errei, errei... Esperar um novo dia... Esperar outro dia... Sei que vou. Esperar um novo dia! Filosofar a poesia! Via um mundo de alegrias Numa nuvem de fumaça. Bonecas, bolas e piões, Tudo as som de gargalhadas! Quem nunca brincou de índio? Quem nunca lutou de capa e espada? Se faz da lembrança um sorriso E do sorriso, uma risada! A alegria de sonhar Me faz ter medo de acordar e voltar e voltar e voltar... Esperar um novo dia... Esperar outro dia... Sei que vou. Esperar um novo dia! Filosofar a poesia! Missuka
Escrito por missuka às 00h46
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